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Pedro Pacheco
As pessoas de Alvor são encantadoras.
Num dos meus passeios ao longo do rio,
encontrei o sr. Pedro Pacheco, pescador acolhedor,
que me recitou um seu poema:
Liberdade liberdade,
Que não há tempo põe-se a chorar
Já não há liberdade
Para o pescador andar ao mar
Um dia ao mar fui, em pequeno
A minha vida foi o mar
Tenho noites que não durmo
Não me dá tempo para sonhar
Já deixei de andar ao mar
Com desenganos e enganos
Agora chegando aos oitenta anos
deram-me duas multas de seguida
Uns dizem que está bem,
Dez dizem que está mal
Para encherem o meu sapatinho
Deram-me duas multas para o Natal
Tô no barco a trabalhar
E qualquer barco que vejo
Me assusta
Tenho medo que seja a vededa
Que me venha dar outra multa
Estou no mar a trabalhar,
Cheio de sustos e de horrores
Não se pode andar ao mar
por causa dos superiores
Não sei ler nem escrever,
Nem sequer pegar numa caneta
Não se pode trabalhar
Só por causa da vedeta
Andei no mar de pequenino
Já cortaram-me o caminho
Não me deixaram trabalhar
Até chegar a velhinho
Este mundo está perdido
Tá, Tá...
Choram os anjos do Céu
Todos têm que morrer
Ninguém leva o Chapéu
Se não se culpa a Eles
culpa-se a CEE.
Se assim continuar
Se há almoço, não há café
Deitem foguetes ao ar
Que a festa vai começar
Nesta Leva, Leva, Leva
Aonde é que o país vai parar
Na idade que já tenho
Já nada me mete medo
Eu nasci em Alvor
E meu nome é João Pedro.
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