A localização de Portus Hannibalis em Alvor é a hipótese avançada por André de Resende (Antiguidades da Lusitânia, 1593) devido à identificação das ruínas de Alvor Velho, que atribuiu aos cartagineses.
Portus Hannibalis pode ter sido o porto de espera de Sagres, segundo o sentido da etimologia de Terçanabal, (*dársen'Anibal)
A travessia do Promontorium Sacro (possivelmente o Cabo de S. Vicente) poderia obrigar, como sucedeu até aos tempos modernos, a longas esperas num porto do Barlavento, até que os ventos permitissem um contorno do cabo pelo largo, não só evitando o Oeste contrário, antes do cabo, como o Norte logo após a sua travessia.
O uso da baía de Sagres como porto-de-espera na Antiguidade era assim praticamente inevitável, devido às suas condições únicas junto do Cabo de São Vicente. O seu controlo seria de importância estratégica primordial no acesso à rota atlântica, incluindo ao vale do Tejo (em 212 a.C. os almirantes
cartagineses Magon Barca e Asdrúbal Giscon invernaram as suas esquadras, respectivamente no Algarve e no Tejo: Políbio, Histórias, X,7,5).
Sendo o porto de Alvor o mais resguardado e menos exposto é muito provável que tenha sido essa a localização de Portus Hannibalis.
De acordo com as escavações efectuadas por Teresa Gamito, Alvor foi a velha Ipses proto-histórica, centro populacional e comercial da máxima importância nos tempos pré-romanos.
Tanto quanto se saiba, Ipses/Ipsa goza do privilégio de ser um dos dois únicos povoados do Algarve (juntamente com Kilibe/Cilpes) referidos na Geografia de Artemidoro de Éfeso, escrita cerca de 100 a.C.
800 anos mais tarde, é ainda o único sítio do Algarve identificado como limite da diocese visigótica de Ossonoba, no documento conhecido como Divisio Wambae.
Durante o domínio romano (séc. III/II a.C.) Alvor teve o nome de Ipses. Ipses (Alvor) e Salacia (Alcácer do Sal) são os únicos sítios Proto-Históricos da costa atlântica que cunharam moeda com a efígie de Melqart/Hércules.

A "romanização" da iconografia da cunhagem de Ipses reforça a hipótese da presença de um destacamento militar romano, numa base naval.
O povoado possuía, tal como hoje, dois portos que delimitavam o oppidum, mas que seriam então consideravelmente mais extensos. A topografia indica que o porto Sul ( futura Ribeira), de maiores dimensões e ligado a uma das portas do povoado romano, seria o embarcadouro militar, defendido
pelo oppidum e por um eventual castellum na falésia planáltica a Sul.
Entre o oppidum a Poente, o povoado romano a Nascente e os dois portos a Norte e a Sul, estabelece-se uma portela em cujo centro e ponto mais elevado se localiza a actual Igreja Matriz. O espaço engloba o bairro da Ribeira, a plataforma e acessos em torno da Igreja e toda a faixa do pequeno vale entre esta e a Vila Velha.
Esta zona define modelarmente um espaço de cannabae portuária, área de mercado, pesca e actividades portuárias que seria partilhada pelas três comunidades locais: os ipsenses autóctones, a força de ocupação romana e os comerciantes e navegadores doutras procedências, em escala técnica ou
atraídos pelas oportunidades de negócio oferecidas pelo aquartelamento romano.
Seria neste espaço colectivo que se elevaria o templo de dedicação marítima a Melqart/Astarté, díade identificada nas cunhagens locais.
A posição predominante e central deste espaço, onde seria de esperar a localização do templo indígena, posteriormente romanizado, corresponde precisamente à da Igreja Matriz.
Com a ocupação islâmica (séc. VII / VIII) Ipses passou a chamar-se Al-Bûr.
Deste período de ocupação islâmica existe muito pouca informação histórica mas ainda hoje existem muitos vestígios de construções árabes e percebe-se ainda que a agricultura seria muito desenvolvida.
Não existe documentação relativamente à provável igreja moçárabe que existiria no lugar da actual.
Em 1189, a povoação de Al-Bûr fica tristemente famosa pela chacina e destruição perpetadas pelos cruzados, pouco antes da 1ª conquista de Silves. Sabe-se, através de relatos dos cruzados, que aqui foram saqueadas enormes quantidades de ouro e prata. Este facto, associado à circusntância de esta ter sido a localidade em que a chacina foi maior, leva a pensar que Al-Bûr seria a localidade mais rica e poderosa da região.
A povoação foi conquistada aos Árabes almóadas por D. Paio Peres Correia em 1250.
Aqui faleceu, em 25 de Outubro de 1495, el-rei de Portugal D. João II. Pouco tempo depois D. Manuel elevou-a a vila sede de concelho, estatuto que viria a perder no início do século XIX. O pequeno município era constituído apenas pela vila e tinha, em 1801, 1 288 habitantes.
Alvor, como muitas outras cidades algarvias, tiveram que ser reconstruídas após os graves sismos de 1532 and 1755, perdendo-se assim muitos dos vestígios históricos que poderiam permitir um melhor conhecimento do seu passado.
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